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title: "Wikileaks e ransomware: precursores da extorsão em massa?"
description: inda que Julian Assange tenha prometido não deixar que a “transparência radical” do Wikileaks afetasse “gente inocente”, uma investigação independente encontrou dados publicados pelo site de pessoas comuns, incluindo fichas médicas de vítimas de abuso sexual e crianças doentes.
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# [Wikileaks e ransomware: precursores da extorsão em massa?](https://www.varonis.com/pt-br/blog/wikileaks-e-ramsonware-precursores-da-extorsao-em-massa)

 Escrito por [Emilia Bertolli](https://www.varonis.com/pt-br/blog/author/ebertolli) | Oct 12, 2016 3:39:00 AM

Ainda que Julian Assange tenha prometido não deixar que a “transparência radical” do Wikileaks afetasse “gente inocente”, uma investigação independente encontrou dados publicados pelo site de pessoas comuns, incluindo fichas médicas de vítimas de abuso sexual e crianças doentes.

A ideia de ter todos os seus segredos expostos, seja como indivíduo ou empresa, é aterradora. Independente do fato de concordar ou não com o Wikileaks, o mundo tem se tornado um lugar difícil, onde nada está 100% a salvo e seguro. Imagine todos os seus emails, fichas médicas, textos, finanças e outros dados pessoais abertos para o mundo inteiro. Infelizmente, esse cenário é mais real do que imaginamos.

Se o ramsonware nos ensinou alguma coisa é que um montanha enorme de dados pessoais e corporativos não está suficientemente protegida. O pesquisador britânico Kevin Beaumont afirma que, atualmente, ocorrem mais de 4000 novos casos de ransomware por hora. É tão fácil para um criminoso invadir um ambiente e simplesmente criptografar os dados, o que vai impedir que eles publiquem as informações na web? Ainda há alguns obstáculos para a ciberextorsão, mas nenhum deles é intransponível:

**1- Criminosos precisam roubar os dados antes de publicá-los**  
O ransomware criptografa os dados antes de roubá-los. A modalidade “extorsionware” – extorsão com roubo digital de dados – precisa burlar toda a monitoração da rede, construída justamente para detectar esse tipo de movimentação não usual de dados. É claro que existe uma maneira de passar por esse controle sem ser notado: basta movimentar os dados lentamente, e escondê-los sob o tráfego de web ou DNS que o ataque se torna perfeitamente possível.

**2- Não há um “muro da vergonha” como o Wikileaks**  
Se os criminosos se unirem para construir um repositório público de dados roubados, certamente a ameaça de publicação das informações criaria um enorme senso de urgência. O Wikileaks foi muito persistente em divulgar repetidas vezes a existência dos emails da Sony, por exemplo, e isso é feito justamente para gerar buzz na mídia.

**3- O ransomware ainda paga melhor**  
Alguns especialistas afirmam que o ransomware ainda paga melhor que o extorsionware, e é por isso que essa modalidade ainda não “decolou”. Por outro lado, como você se recupera de um ataque no qual cópias de seus arquivos e e-mails são públicos? O pagamento pode ser a única solução, e um grande pagamento pode valer centenas de pequenos ransomware.

Então, como prevenir os autores do ransomware de tentar fazer ambas as coisas? Infelizmente, não há muito o que fazer. Eles certamente primeiro farão a criptografia dos dados para depois roubá-los. Se forem pegos durante a extração das informações, isso também não causará muitos problemas aos criminosos. Basta trabalhar apenas com o resgate dos dados.

O ransomware provou que as empresas estão definitivamente vários passos atrás quando se trata de vasculhar por comportamentos anormais dentro da rede interna, principalmente em arquivos de sistemas. A maior lição que podemos tirar do Wikileaks, ransomware e extorsionware é a de que estamos na cúspide de um mundo no qual dados e arquivos não protegidos podem realmente destruir a privacidade, causar danos aos negócios e até ameaçar vidas.

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